TÓPICO ESPECIAL: ONDE ESTÁO OS MORTOS?

 

I. Antigo Testamento

A. Todos os seres humanos vão para o Sheol (não há raízes cognatas e a etimologia é incerta, BDB 982, KB 1368), que é uma maneira de se referir à morte ou sepultura, principalmente na Literatura de Sabedoria e Isaías. No AT era uma existência sombria, consciente e sem alegria (cf. Jó 10.21, 22; 38.17).

B. Sheol caracterizado

1. associado com o juízo de Deus (fogo), Dt 32.22

2. uma prisão com portões, Jó 38.17; Sl. 9.13; 107.18

3. uma terra sem retorno, Jó 7.9 (um título acadiano para a morte)

4. uma terra / reino das trevas, Jó 10.21-22; 17.13; 18.18

5. um lugar de silêncio, Sl. 28.1; 31.17; 94.17; 115.17; Isa. 47.5

6. associado com punição mesmo antes do Dia do Juízo, Sl 18.4, 5

7. associado com abaddon (destruição; veja o Tópico Especial: Abaddon... Apollyon), no qual Deus também está presente, Jó 26.6; Sl 139.8; Amós 9.2

8. associado com "a Cova” (sepultura), Sl 16.10; Is 14.15; Ez 31.15-17

9. os ímpios descem vivos para o Sheol, Nm 16.30, 33; Jó 7.9; Sl 55.15

10. personificado frequentemente como um animal com uma grande boca, Nm 16.30; Is 5.14; Hc 2.5

11. as pessoas lá chamadas Repha’im (i.e., "espíritos dos mortos”), Jó 26.5; Pro. 2.18; 21.16; 26.14 Isa. 14.9-11

12. no entanto, YHWH está presente até mesmo aqui, Jó 26.6; Sl. 139.8; Pro. 15.11

II. Novo Testamento

A. O hebraico Sheol é traduzido para o grego como Hades (o mundo invisível)

B. Hades caracterizado (muito parecido com Sheol)

1. refere-se à morte, Mt 16.18

2. ligado à morte, Ap 1.18; 6.8; 20.13, 14

3. frequentemente análogo ao lugar de punição permanente (Gehenna), Mt 11.23 (citação do AT); Lucas 10.15; 16.23, 24

4. frequentemente análogo à sepultura, Lucas 16.23

C. Possivelmente dividido (os rabinos)

1. a parte dos justos chamada Paraíso (realmente um outro nome para céu, cf. II Co 12.4; Ap 2.7), Lucas 23.43

2. a parte dos ímpios chamada Tartaro, um lugar de aprisionamento muito abaixo Hades II Pedro 2.4, onde é um lugar de aprisionamento para os anjos maus (cf. Gn 6; I Enoque). Ele está associada com o "Abismo", Lucas 8.31; Rom. 10.7; Apo. 9.1-2,11; 11.7; 17.18; 20.1,3

D. Gehenna

1. Reflete a frase do AT "o vale dos filhos de Hinom”, (sul de Jerusalém). Era o lugar onde o deus do fogo dos fenício, Moloque (BDB 574, KB 591), era adorado através do sacrifício de criança (cf. II Rs 16.3; 21.6; II Cr 28.3; 33.6), que foi proibido em Lv 18.21; 20.2-5.

2. Jeremias transformou-o de um lugar de adoração pagã num local do juízo de YHWH (cf. Jr 7.32; 19.6, 7). Tornou-se um lugar de juízo de fogo ardente, eterno em I Enoque 90.26, 27 e Sib 1.103.

3. Os Judeus da época de Jesus eram tão atemorizados pela participação de seus ancestrais na adoração pagã através do sacrifício de criança, que eles tornaram essa área num depósito de lixo para Jerusalém. Muitas das metáforas de Jesus para juízo eterno vieram desse depósito de lixo (fogo, fumaça, vermes, fedor, cf. Marcos 9.44, 46). O termo Gehenna é usado somente por Jesus (exceto em Tiago 3.6).

4. Emprego de Gehenna por Jesus:

a. fogo, Mt 5.22; 18.9; Marcos 9.43

b. permanente, Marcos 9.48 (Mt 25.46)

c. lugar de destruição (tanto da alma quanto do corpo), Mt 10.28

d. paralelo a Sheol, Mt 5.29, 30; 18.9

e. caracteriza os ímpios como "filhos do inferno”, Mt 23.15

f. resultado de sentença judicial, Mt 23.33; Lucas 12.5

g. o conceito de Gehenna é paralelo à segunda morte (cf. Ap 2.11; 20.6, 14) ou ao lago de fogo (cf. Mt 13.42, 50; Ap 19.20; 20.10, 14, 15; 21.8). É possível que o lago de fogo se torne a morada permanente dos homens (de Sheol) e dos anjos maus (de Tartarus, II Pe 2.4; Judas v. 6 ou o abismo, cf. Lucas 8.31; Ap 9.1-11; 20.1, 3).

h. não foi designado para os seres humanos, mas para Satanás e seus anjos, Mt 25.41

E. É possível, por causa da sobreposição de Sheol, Hades, e Gehenna que

1. originalmente todos os seres humanos iam para o Sheol/ Hades

2. a experiência deles lá (boa ou má) era exacerbada depois do Dia do Juízo, mas o lugar dos ímpios permanece o mesmo (é por isso que a KJV traduziu hades (sepultura) como gehenna (inferno).

3. o único texto do NT a mencionar tormento antes do Juízo é a parábola de Lucas 16.19-31 (Lázaro e o homem rico). Sheol é também descrito como um lugar de punição agora (cf. Dt 32.22; Sl 18.1-5). Contudo, não se pode estabelecer uma doutrina numa parábola.

III. Estado intermediário entre a morte e a ressurreição

A. O NT não ensina a "imortalidade da alma”, que é uma das várias visões antigas da vida depois da morte.

1. as almas humanas existem antes da sua vida física

2. as almas humanas são eternas antes e depois da morte física

3. frequentemente o corpo físico é visto como uma prisão e a morte como uma libertação de volta ao estado preexistente.

B. O NT faz alusão a um estado fora do corpo entre a morte e a ressurreição

1. Jesus fala de uma divisão entre corpo e alma, Mat. 10.28

2. Abraão pode ter um corpo agora, Marcos 12.26, 27; Lucas 16.23

3. Moisés e Elias têm um corpo físico na transfiguração, Mateus 17

4. Paulo afirma que na Segunda Vinda as almas com Cristo receberão seus novos corpos primeiro, II Ts 4.13-18

5. Paulo afirma que os crentes recebem seus novos corpos espirituais no Dia da Ressurreição, I Co 15.23, 52

6. Paulo afirma que os crentes não vão para o Hades, mas que na morte estão com Jesus, II Co 5.6, 8; Fp 1.23. Jesus venceu a morte e conquistou o direito aos céus com Ele, I Pe 3.18-22.

IV. Céu

A. Este termo é usado em três sentidos na Bíblia.

1. a atmosfera acima da terra, Gn 1.1, 8; Is 42.5; 45.18

2. os céus estrelados, Gn 1.14; Dt 10.14; Sl 148.4; Hb 4.14; 7.26

3. o lugar do trono de Deus (Dt 10.14; I Rs 8.27; Sl 148.4; Ef 4.10; Hb 9.24 (terceiro céu, II Co 12.2)

B. A Bíblia não revela muita coisa sobre a vida depois da morte, provavelmente porque os seres humanos caídos não têm nenhuma maneira ou capacidade para entender (cf. I Co 2.9).

C. O Céu é tanto um lugar (cf. João 14.2, 3) quanto uma pessoa (cf. II Co 5.6, 8). O Céu pode ser um Jardim do Éden restaurado (Gênesis 1-2; Ap 21-22). A terra será purificada e restaurada (cf. Atos 3.21; Rm 8.21; II Pe 3.10). A imagem de Deus (Gn 1.26, 27) é restaurada em Cristo. Agora a comunhão íntima do Jardim do Éden é possível novamente. Contudo, isto pode ser metafórico (céu como uma grandiosidade cidade quadrangular de Ap 21.9-27) e não literal. I Coríntios 15 descreve a diferença entre o corpo físico e o corpo espiritual como a semente para a planta madura. Novamente I Co 2.9 (uma citação de Is 64.4 e 65.17) é uma grande promessa e esperança! Eu sei que quando nós o vermos seremos como Ele (cf. I João 3.2).

V. Recursos úteis

A. William Hendriksen, The Bible On the Life hereafter [A Bíblia Sobre a Vida depois da morte]

B. Maurice Rawlings, Beyond Death’s Door [Além da Porta da Morte]