TÓPICO ESPECIAL: O DEMONÍACO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

A. O relacionamento exato entre anjos caídos e o demoníaco é incerto. I Enoque afirma que o Nephilim de Gn 6.1-8 é a fonte do mal (os rabinos também focam no texto e não em Gênesis 3). I Enoque diz que esses seres metade anjo/metade humano foram mortos pelo dilúvio (ainda firma que a morte deles foi o propósito do dilúvio), mas agora seus espíritos desencarnados estão procurando um hospedeiro corporal. Isto é interessante, mas não revelador (ou seja, inspirado).

B. Há vários espíritos ou demônios hostis identificados no AT.

1. Sátiros ou "peludos", possivelmente demônios bodes (BDB 972 III, KB 1341 III) - Lv 17.7; II Cr 11.15; Is 13.21; 34.14)

2. Shedim (BDB 993, KB 1471) - Dt 32.17; Sl 106.37, aos quais sacrifícios eram feitos (similar a Moloque)

3. Lilith, o demônio feminino da noite (BDB 539, KB 528), - Is 34.14 (parte do mito babilônico e de Ugarite)

4. Azazel, demônio do deserto (nome demônio chefe em I Enoque, cf. 8.1; 9.6; 10.4-8; 13.1, 2; 54.5; 55.4; 69.2) - Lv 16.8, 10, 26 (BDB 736, KB 806)

5. Salmo 91.5,6 são personificações de pestilências (cf. Sl. 91.10), não seres espirituais (cf. Cântico dos Cânticos 3.8)

6. Isaías 13.21 e 34.14 listam vários animais deserto como uma maneira de mostrar a desolação de lugares destruídos. Alguns que supõem que a lista inclui o demoníaco para ilustrar que esses lugares destruídos são também assombrados (cf. Mt 12.43; Lucas 11.24; Ap 18.2)

C. O monoteísmo (veja Tópico Especial: Monoteísmo) do AT silenciou e modificou as lendas das nações pagãs, mas às vezes nomes e títulos de suas superstições são referidos (esp. textos poéticos). A realidade dos espíritos maus é uma parte da revelação progressiva e é devolvida no NT como é a pessoa/anjo de Satanás (veja o Tópico Especial: Satanás) e seus seguidores espirituais (isto é, demônios).